Destino Réveillon

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, dezembro 27, 2008

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Os ponteiros passam e as pernas correm cada vez mais, cada qual para seu lado. O vai e vem constante tornou-se rotina. Alguns passos mais vagarosos, outros arrastados e acelerados, os braços saem à frente e abrem espaço, muitas vezes sem pedir licença. Olhares curiosos dos que chegam ou partem se cruzam e não páram. Não há tempo. Lágrinas que não têm vergonha dos olhares escorrem da tristeza pela saudade ou da alegria do reencontro...

Nesse época de fim de ano, a diversidade regional do país se encontra diariamente nas plataformas do Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo, o maior da América Latina, segundo maior do mundo. Os sentimentos se misturam aos mais diversos barulhos, correrias e principalmente tumulto. As filas de ônibus que se formam, tomam conta do terminal e vão aos mais variados destinos, de norte a sul do país, por estradas lisas e pelas mais calejadas que torturam os passageiros.

As bagagens se tornam curiosas atrações turísticas aos mais atentos. Uma infinidade de malas, caixas e carrinhos passam em todas as direções como se tivessem vida própria. Do alto dos ombros elas conseguem ter uma visão exclusiva do caminho atropelado a passos. Outras mais priveligiadas, desfilam nos carrinhos dos carregadores trajados a rigor, roupa com destaque em amarelo e o típico chapéu.

O Terminal Tietê nada mais é do que um grande ponto de encontro. Com números assustadores e grandiosos perante a cidade que o cerca, ele é a grande porta de entrada e saída de São Paulo. Um retrato da face marcada de São Paulo. Pela noite, quando a calmaria aparente chega ao terminal, ele se mantém firme mas não dorme, apenas descança.

Terminal em números:
Nas 24 horas de funcionamento ele atende 21 estados brasileiros. São 65 empresas rodoviárias, 135 bilheterias, e 304 linhas de ônibus, que atendem a 1.010 cidades. São 70 plataformas de embarque e 19 de desembarque.

Terminal em Serviços:
Acessibilidade, achados e perdidos, alimentação, área comercial, bancos, farmácia, juizado de menores, táxi, sanitários, carregadores de bagagens, escadas rolantes, assistência social, posto de vacinação.

Entre o dia 19 de dezembro e o dia 5 de janeiro, 73 mil pessoas devem passar pelo terminal do Tietê.

Santa Claus

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quarta-feira, dezembro 24, 2008

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Noite de Natal!

Uma noite esperada por muitas pessoas, principalmente pelas crianças...que não deixam o espírito da data se apagar. Uma época para abraçar as lembranças mais remotas, para sorrir entre amigos e beijar a família...Época também de refletir sobre a vida e buscar vôos mais amplos....Para não deixar em branco essas doze badaladas, segue um pequeno vídeo que montei um tempo atrás com letra e voz de Claudia Gomes...




Espaço Social

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, dezembro 20, 2008

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A OCAS precisa de você! Saiba porque:



Velocidade e Superação

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quinta-feira, dezembro 11, 2008

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As pistas de atletismo não estavam nos planos do então menino Lucas Prado, que nasceu em Poxeréu, e creceu em Rondonópolis no Mato Grosso. Sua infância foi como a de qualquer outro menino de sua idade. Olhos bem vivos. Muito brincalhão e arteiro. O jogo de bola com os amigos, correr atrás dos galos do tio e as brincadeiras mais divertidas para qualquer criança da sua idade eram tradições.

Na juventude, antes mesmo dos 15 anos já trabalhava como mecânico. Com 16 anos entrou no Banco do Brasil como auxiliar administrativo através do Projeto Menor Aprendiz. “Meu sonho era me formar engenheiro mecânico e tinha futuro no banco seguindo carreira, talvez de gerente geral.”

O trabalho se mantinha em crescente progresso até 20 de setembro de 2003 quando um deslocamento de retina começou a transformar sua vida. Essa data ficou registrada em sua memória. Nesse dia Lucas teve o primeiro diagnóstico médico: coriorretinite, uma inflamação no fundo do olho.

Começava assim uma árdua rotina de idas e voltas ao consultório médico. Ao todo seis cirurgias tentaram interromper o progresso da doença. Dos 17 para 18 anos, sem mais chances de cura, a luz dos seus olhos se apagaram de forma definitiva. “Os primeiros dias não foram tão difíceis porque o médico disse que eu votaria a enxergar, então estava um pouco tranquilo. Mas na última cirurgia, quando o médico falou que eu ficaria cego definitivamente, veio o desespero.”

A transformação na vida de Lucas foi rápida e dolorosa, assim como para toda a família. A primeira reação foi não aceitar tal situação e se revoltar com as tarefas mais simples que ele fazia sem problema algum antes. A cegueira lhe tirou não só a visão mas também a esperança na vida, chegando ao ponto de desistir de tudo e pensar no pior. “Pensei em morrer várias vezes”, revela Lucas ao lembrar da época.

Passado algum tempo Lucas conheceu um deficiente visual que já treinava futebol especial para cegos. Sem nada a perder, Lucas foi conhecer o esporte, começou a treinar e até viajou para Cuiabá para se aperfeiçoar no futebol para cegos. Mas não teve muito sucesso. Em 2006, com a ajuda da atleta Terezinha Guilhermina, que tem o título de cega mais rápida nos 100 e nos 400 metros, conheceu o atletismo e começou a mudar sua própria história. As pistas de treino passaram a ser sua casa e as vitórias uma adorável consequência de seu empenho. Hoje ele treina em Joinville, em Santa Catarina, e se dedica de 6 a 7 horas por dia com muito suor.

De bom humor com a vida Lucas revela: “Aceitar ser cego é ver o mundo mais bonito do que eu enchergava antes. Hoje vejo o mundo e faço ele do meu jeito! Construo ele do jeito que eu quero, igual no meu sonho! A vida é dura, mas se a gente ver por outro lado, e muito melhor do que ficar reclamando. Dificuldades todos nós temos, basta a gente saber como lidar com ela, erguer a cabeça, olhar para frente e colocar um objetivo nas nossas vidas: ser feliz custe o que custar.”

Lucas Prado ganhou o título de cego mais rápido do mundo ao vencer nove provas das dez que disputou nos jogos entre eliminatórias, semifinais e finais. Trouxe três medalhas de ouro ao Brasil nos últimos jogos paraolímpicos na China.

*O texto acima é parte integrante da matéria especial "Garotos Superpoderosos", da qual tive a honra de escrever para a Revista OCAS - Saindo das Ruas. A revista OCAS é mantida pela Organização Civil de Ação Social - Ocas, a qual elabora um projeto social de reintegração de pessoas em situação de risco. A revista é vendida nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro, onde dos R$ 3,00, do preço do exemplar, R$ 2,00 vão para o vendedor. Na revista, todos os profissionais envolvidos se dedicam de forma voluntária. Contato: ocas@ocas.org.br

A Arte de Contar História

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, dezembro 07, 2008

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Todos nós somos repletos de histórias. Algumas para serem ouvidas, outras para serem contadas! Quem não tem uma história para contar? Histórias de ruas, avenidas, museus, cidades, personagens urbanos, de amor…são elas que desde os tempos mais remotos tem por função armazenar, difundir e expandir conhecimentos e valores, passada de geração a geração.

São tantas histórias que muitas se perdem no tempo e no espaço. E é com o objetivo de resgatar a arte dessas histórias e todo o processo que elas representam, com gestos, olhares, vestimentas, movimentos e sentimentos, que, de forma inédita, a Biblioteca Hans Christian Andersen, localizada em uma praça na zona leste de São Paulo, formou ontem, após quatro meses de curso, a segunda turma de Contadores de História.

Contar hitórias não é algo tão simples…há acima de tudo uma responsabilidade com os ouvintes: as imaginações das crianças que mergulham nas palavras contadas criam ambientes e se permitem viajar, nos olhares curiosos dos adultos e sorrisos discretos dos mais velhos. A tradição dessa arte atravessa fronteiras. Contos, mitos e lendas do imaginário são algumas bases das histórias.

No palco do teatro da biblioteca duplas e trios se revesavam na formação dos novos contadores. Todas histórias com uma mensagem positiva ao final, ou simplesmete, História. Pelos olhares atentos do público passaram algumas versões: a moça da janela a espera do tempo, lendas africanas, o mistério que envolve a Lua, o teimoso macaco simão e sua boneca com piche, o desafio de gestos, a luta dos animais que sonho de conquistar a fama com a música e os os simpáticos sapinhos que de dentro de um latão descobriram que o céu é “…azul,azul,azullll”.

Muitas histórias contatas nos remetem ao tempo de infância…das histórias ante
s de dormir. Mas não são os as crianças que elas atingem. Elas são também uma forte ferramenta em buscar e tirar de qualquer ouvinte a lembrança já esquecida. Elas podem percorrer olhares, sorrisos e aplausos. São também uma verdadeira fonte de vida, para quem conta e para quem ouve.

Essa nova turma de Contadores de História, agora com diploma e tudo, são os responsáveis pela preservação e continuação dessas lendas que passeiam por mundos imaginários. Até a próxima história!



Entre o antigo e o novo ROMANCE

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, novembro 29, 2008

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Nos tempos remotos…
Mitos e lendas sempre são atemporais. A mágia das histórias ecoam em pensamentos das mais variadas gerações e culturas, cada uma com suas particularidades, visões e crenças. Os caminhos que essas histórias percorrem até os dias de hoje são longos... mas suas essências, de modo geral, são preservadas. Temas centrais sobrevivem e renascem a cada momento. Entre os mais comuns: amores, comédias, tristezas, conflitos, lutas, desafios, perdas e romance….ROMANCE! eis aqui um dos mais idealizados e tema central de infinitas montagens que passam da ficção à realidade e vice-versa.

A mocinha e o mocinho em busca do amor eterno amor. Podemos voltar séculos no tempo, ou avançar, como queiram, que a conquista desse sentimento é algo comum entre passado, presente e futuro.

Talvez um dos berços das lendas de ROMANCE está cravada em Tristão e Isolda, um dos contos da Idade Média que traduz um amor perfeito na vida e na morte. Uma das histórias mais trágicas que acaba com uma lágrima de felicidade.

Nos tempos atuais…
A lenda de Tristão e Isolda já foi registrada em milhares de livros perdidos nos cantos pelo mundo, subiu em palcos com as mais simples e complexas produções, e , hoje, está presente na sétima arte nacional. Lançado recentemente, ROMANCE, novo filme de Guel Arraes, faz um passeio pela cultura do cordel nordestino, brinca com a arte, coloca o teatro dentro das telas e o cinema junto com o teatro, tendo como cenário central a lenda dos personagens enamorados pela paixão eterna.

A história de Tristão e Isolda é transportada para o sertão da Paraíba, de forma inédita, junto com os embados das novas e velhas paixões. O calor escaldante do sol que racha o solo seco impede que as volumosas roupas de Isolda cheguem a esse século.

Para compor esse cenário, “Nosso Estranho Amor”, de Caetano Veloso revela na música a arte desse amor : “ …Ah! Mainha deixa o ciúme chegar ; Deixa o ciúme passar e sigamos juntos; Ah! Neguinha deixa eu gostar de você; Prá lá do meu coração não me diga; Nunca não…”

Wagner Moura e Letícia Sabatella são de forma impecável os personagens centrais do filme e dos palcos. ROMANCE concede aos telespectadores a chance de acompanhar a produção teatral dentro das telas do cinema. A mistura de personagens chega a embaralhar a visão, a misturar os textos e a tirar uma fina e delicada comédia.


Yes We Can

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sexta-feira, novembro 07, 2008

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Um fato noticiado pelos quatro cantos do mundo nesta semana e que já entrou para os história global é sem dúvida a eleição de Barack Hussein Obama para a presidência dos EUA. Esse post é apenas um registro dessa vitória e a exibição de um vídeo peculiar. Obama, mais do que um político, representa a quebra de uma hegemonia na sociedade americana tão repleta de preconceitos sociais e raciais.

O primeiro presidente negro a residir na Casa Branca desperta uma esperança já perdida em muitas pessoas...líderes de diversos países demosntram otimismo em relação ao novo líder. A consagração de Obama tornou-se exemplo da luta por um ideal. Povos de várias nações, menosprezados pela cruel discriminação da sociedade alienada e preconceituosa, vêem nele, uma nova proposta de liderança...com certeza há muito a ser feito...talvez o primeiro passo foi dado.

Arte do Riso

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, outubro 12, 2008

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A noite molhada de São Paulo após uma leve chuva deixa o vento bater mais gelado. A grama ainda tomada pelas águas em um antigo terreno de campo aberto na região central da cidade cedia espaço para uma antiga e uma das mais puras arte do riso fácil e sem medo: o circo.

A lona iluminada por um cordão de luzes nada tímido mostrava a que veio em meio as contruções de uma cidade tomada pela pressa a contradições. Aos poucos o público toma as arquibancadas…crianças, adultos e idosos…nessa arte, não há idade certa, todos são levados de forma natural a uma infância que já não volta mais. No picadeiro, o jogo de luzes acompanham cada passo das apresentações.

Sem grandes espetáculos e números gigantescos, o Circo Zanni contagia pela simplicidade e concentra em uma das mais antigas personagens do mundo do circo…o palhaço e sua palhaçadas. Nada de piadas prontas. Um gesto, um olhar, um suspiro especial somado ao tradicional sapato nada modesto e uma maquiagem colorida são o ingresso para o riso perdido.

Acrobatas, malabares, cordas, trapézio complementam o cenário. Uma banda ao vivo acima do picadeiro dão um ar moderno e a sonorização em tempo real. No circo não há profissão certa. Todos fazem de tudo e se tranformam em todos. O guitarrista se torna o palhaço e logo depois já é o desafiante da corda bamba. A tecladista muda de instrumento e logo em seguida voa presa as cordas sobre a platéia…

…nesse mundo de magia e diversão, o único objetivo é levar a arte até onde ela nos permite alcançar...um sorriso tímido ou na explosão de aplausos ao fechar das cortinas.

http://www.circozanni.com/



Espaço Social -

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quarta-feira, outubro 08, 2008

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O passo a passo da equipe brasileira para a Copa do Mundo de Futebol de Rua


A Organização Civil de Ação Social (OCAS) e a revista Ocas” receberam os garotos de várias entidades para disputar o torneio de futebol no Ginásio Municipal “Luís Antonio de Araújo", em São Roque. O objetivo era selecionar os representantes do Brasil para a Copa do Mundo de Futebol de Rua (Homeless Word Cup), que ocorre em dezembro na Austrália.

O técnico Pupo teve trabalho na escolha dos melhores atletas para formar a seleção brasileira, pois o nível das equipes estava equilibrado. A qualidade das jogadas das equipes demonstrou que as entidades sociais estão preocupadas em colaborar também com uma possível qualificação profissional, além de buscar, por meio do ensino da arte do futebol, uma forma de cooperar com a formação sócio-cultural do indivíduo.

Os convocados foram: Adeilton Bruno Melo da Silva, Lucas de Souza e Uanderson Alves, da Associação Atlética Artmanha Heliópolis; Rodrigo Rocha, da Associação Comunitária Cultural e Educacional e Esportiva Renato 11 e Amigos (Paraisópolis); Denis Rodrigues e Eduardo Bugle, do Centro de Treinamento Molecaje (Jaguaré); Diego Emanuel, Carlos Magno, Anderson de França, Roberto de Souza e Ricardo Mion, da Sociedade de Melhoramentos do Bairro da Vila Nova - Somevila (Santos) e Willian Evangelista, do Projeto de Futebol da Prefeitura da Estância Turística de São Roque (SP). Além dessas instituições, ainda participaram do torneio a Comunidade Evangélica Nova Aurora - Missão Cena - e o Movimento Comunitário Estrela Nova.
“Esses 12 jovens selecionados serão treinados até 11 de outubro, quando serão escolhidos os oito finalistas para disputar a Copa,” conta Pupo.

A Copa do Mundo de Futebol de Rua é um evento que já faz parte da agenda mundial há 5 anos e conta com apoio da Union of European Football Associations - Uefa (União das Associações Européias de Futebol), da International Network of Street Papers - INSP (Rede Internacional de Publicações de Rua) e também dos órgãos oficiais da cidade e do país que acolhem sua realização.

O objetivo da Copa vai além de promover o futebol, pois os participantes e organizadores buscam reunir as pessoas para promover discussões sobre exclusão social e formas de se combater a situação de pobreza, divulgar as publicações de rua e disseminar a paz em todo o mundo.
E foi com o espírito de ser um veículo de divulgação desses objetivos no Brasil e também por acreditar no Futebol Social como um veículo transformador, que contribui para a inclusão dos jovens na sociedade de forma sadia, que a OCAS e a revista Ocas” assumiram a responsabilidade de selecionar e organizar a equipe de futebol para participar do evento, privilegiando entidades atuantes em esporte, de diversas regiões de São Paulo, incluindo as cidades de Santos e São Roque.

Neste ano a seleção brasileira contará com o apoio do Sport Club Corinthians Paulista, conforme anunciado por Guilherme Araújo, presidente da OCAS, durante o torneio.

Voto Consciente

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, setembro 27, 2008

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Com a aproximação das eleições para prefeito e vereador no próximo dia 5 de outubro, os eleitores são constantemente advertidos com diversas notícias nos jornais, revistas e TVs sobre sonegações, desvios de verbas e corrupções políticas. Fica uma pergunta no ar: em meio as denúncias políticas, como combater esses fatos? A resposta está no voto!

O voto representa a vontade e a opção política de cada eleitor, e é através do livre e consciente exercício do voto que a democracia brasileira segue se aperfeiçoando. De acordo com Marcelo da Silva Sobrinno, advogado e mestrando na Universidade de São Paulo, “o voto correto só pode decorrer da manisfestação da vontade de um eleitor já maduro, conhecedor da realidade política e das necessidades de sua cidade, Estado e país.”

A liberdade do voto é a mais valiosa ferramenta de que dispõe o cidadão comum para alterar cenários de corrupção e atraso social. Em meio a uma crise de representatividade, o chamado “desencantamento”, o eleitores tendem a um afastamento e até alienação aos assuntos políticos. Sobrinno lembra que é justamente contra esse cenário que os eleitores devem lutar e retomar o controle da democracia. Conhecer o histórico dos candidatos, as propostas e projetos de governo, é uma forma de checar seu real interesse e capacidade para materializar as promessas que faz e isso é fundamental aos eleitores.

O desencantamento abre espaço para três fenômenos igualmente prejudiciais: um é a retomada de antigas práticas tais como a compra de votos; outro é o surgimento de candidatos puramente midiáticos, verdadeiras “construções” publicitárias descoladas da realidade mas que possuem forte apelo emocional junto aos eleitores - ou a versão mais moderna, onde pessoas com forte presença na mídia mas esvaziadas de qualquer conteúdo aproveitam sua imagem positiva para conquistarem um cargo público, mesmo sem terem a menor noção do valor e das responsabilidades inerentes à função a ser desempenhada.

Por fim, o último fenômeno é o chamado “voto de protesto”, que de protesto não tem nada. Aqui o eleitor, desencantado com a política, decide votar no candidato mais extravagante, ou naquele que possui um nome ou apelido engraçado, ou ainda que baliza sua campanha em bravatas ou discursos pseudo-moralizadores. Segundo Marcelo Sobrinno, “esses três fenômenos, juntos, têm contribuído enormemente para o empobrecimento do debate como um todo, para a espetacularização das campanhas e para uma sensível piora na qualidade de nossos representantes, resultando em gravíssimos prejuízos para a população.”

Bossa Desafinada

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, agosto 31, 2008

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“Eu também tive um sonho
Um sonho brasileiro
Numa roda de samba
Marti Luther King tocava pandeiro

E Sebastião cantava junto
Dona Conceição preparava a feijoada
Batucada esperta chacoalhava o mundo
...” **

Para quatro amigos unidos pela música o sonho era deixar as paisagens e bares das noites cariocas para se apresentar no show no Carnegie Hall, em Nova York, no início da década de 60, quando um novo estilo musical começava a atingir a mundo, a bossa nova.

Em “Os Desafinados”, filme de Walter Lima Jr, lançado semana passada nos cinemas, a trilha sonora releva a belas composições que marcaram época e deram origem ao quarteto Os Desafinados. Em Nova York os jovens da bossa tentam seguir carreira onde conhecem a cantora brasileira Glória Baker. Os rumos começam a mudar junto com as novas e secretas paixões.

Com cenas que mesclam passado e presente, lembranças e emoções, a história traz também como pano de fundo o triste cenário da ditadura militar que atingiu os países da América do Sul. No Brasil, a censura calou vozes, pensamentos e artistas. Em apresentações por Buenos Aires, o quarteto enfrentou a primeira perda.

Os Desafinados faz um passeio pela história do país…da glória e magia da Bossa Nova para a vergonhosa ditadura dos anos 60 e 70. Fazem parte do elenco Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Selton Mello, Jair Oliveira e Ângelo Paes Leme.



**
Eu também tive um sonho
Jair Oliveira
Composição: Jair Oliveira

E Agora Drummond ?

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on segunda-feira, agosto 25, 2008

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Sentado de costas para o mar ele chama a atenção de quem passa. Pela brisa que traz a areia aos seus pés sente a luz escaldante dos raios do sol se apagarem para dar lugar ao luar. O tempo é seu destino. A escuridão da noite não traz medo. Alguns raios de fleches das indiscretas máquinas não o atrapalham. Ali parado como uma estátua é alvo de curiosos. Alguns mais ousados trocam confidencias, outros batem papo como se fossem velhos amigos. Poeta, escritor, cronista e tradutor brasileiro Carlos Drummd de Andrade dispensa apresentações. Seu legado o torna sempre vivo.

"Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la." Drummond é sutil e firme em suas palavras. A estátua feita de bronze, em tamaho natural, colocada em um dos bancos do calçadão da praia de Copacana chora de tristeza pelos constantes atos de vandalismo. Seu coração vivo e maciço pulsa de desgosto.

Pela quinta vez seus óculos, peça característica do poeta, foi recolocada. Até quando elas darão luz aos profundos olhos….não ouso responder. Em alguma década do passado, o local era passeio do poeta….pelas calçadas muitas palavras foram jogadas ao vento. O mar é testumunha de seus pensamentos. No banco apenas uma frase: “No mar estava escrito uma cidade”.

"O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente." Ao contrário dos bandos que insistem em promover a destruição de um símbolo nacional, Drummod traduz a visão de um brasileiro comprometido com a realidade social.

"Eu nunca tive pretensões a nada na vida, nunca pretendi ser rico ou poderoso e nem mesmo feliz. Na medida do possível, acho que vivi uma vida tranqüila. Posso ter errado muitas vezes, mas valeu a pena. Foi bom."

Essa Menina

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quinta-feira, agosto 21, 2008

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“Essa menina
É tão indiferente
Fala com a gente
E nem sequer olha no olhar
Sua boca me convém
Seus olhos não me vêem
Estou cansado de esperar…”


Essa Menina se chama Bruna Caram. Menina madura com uma voz doce. Os gestos simples fazem o contorno e extensão das letras. A timidez aparente e rosto meigo completam o cenário. Bruna Caram é a mais nova revelação da música brasileira. Música com qualidade! Ela faz do palco um passeio pela emoção.

O público que preencheu o palco arena do Centro Cultural Vergueiro em uma tarde calorosa de São Paulo se rendeu a essa voz. Sensibilidade no olhar e respeito ao mestre da música e da composição Dorival Caymmi que partiu para o hall das constelações.

Bruna Caram que nasceu em um berço musical exibe nas veias seu dom. Sorte de quem tem o prazer em escutá-la. Aplausos não são exagerados para Essa Menina.

Palavras do Coração, Signo de Câncer, Um Blues são algumas músicas de sucesso que estão presentes no álbum “Essa Menina”, lançado em 2007.

SOCIAL - COPA DO MUNDO DE FUTEBOL DE RUA

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quarta-feira, agosto 20, 2008

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1ª Seletiva da Copa do Mundo de Futebol de Rua

Participarão da 1ª Seletiva da Copa do Mundo de Futebol de Rua, a convite da Organização Civil de Ação Social (OCAS) e da revista Ocas”, as entidades: Associação Atlética Artmanha Heliópolis; Associação Comunitária Cultural e Educacional e Esportiva Renato 11 e Amigos; Centro de Treinamento Molecaje; Comunidade Evangélica Nova Aurora - Missão Cena; Futuro Através do Esporte (FAE/USP); Movimento Comunitário Estrela Nova e o Projeto Esportivo da Prefeitura da Estância Turística de São Roque - SP.

Dessa 1ª Seletiva da Copa do Mundo de Futebol de Rua sairão os jovens com idade entre 16 e 19 anos, representantes brasileiros na Homeless World Cup, a Copa do Mundo de Futebol de Rua, que acontece em dezembro de 2008 na Austrália.

O professor de educação física, Flávio Fernandes Rodrigues, conhecido como Pupo,aposta no projeto do Futebol Social: "o futebol tem o poder de fogo para mudar uma vida para melhor. O esporte é uma alternativa para problemas como drogas e violência. É um gerador de renda, mobilizador social e incentivador de atividades saudáveis”. Ele garante que até dezembro a garotada estará pronta para ir para a Austrália, defender a bandeira brasileira nessa Copa, que ocorre desde 2003.

A Copa, criada em 2003 pela INSP (Rede Internacional de Publicações de Rua), faz hoje parte da agenda esportiva mundial e conta com o apoio de entidades como a União das Associações Européias de Futebol (UEFA), entre várias outras.

Guilherme Araújo, presidente da OCAS anuncia: “durante o torneio será oficializado o apoio do Sport Club Corinthians Paulista à OCAS, na organização e preparação do time formado para o evento mundial”.

Faça como o Corinthians, venha apoiar a garotada que está disposta a representar o Brasil na Copa do Mundo de Futebol de Rua.

Localização:
Ginásio Municipal de São Roque "Luís Antonio de Araújo"
Rodovia Raposo Tavares Km 61
Abertura: 9 horas
Jogos: Dia 23/08 - das 9H30 às 12H00 e das 13H30 às 19H00.
Dia 24/08 - das 9H00 às 13H30.
Entrada Franca

Sites relacionados:
OCAS – http://www.ocas.org.br/
HWC - http://www.homelessworldcup.org/
INSP - http://www.street-papers.org/

Assessoria de Comunicação:
Yara Verônica Ferreira
E-mail: yara_veronica@yahoo.com.br


Atualização - 23/08/08
Para atualizar as informações, a garotada joga um bocado e o resultado dos jogos até metade da tarde eram animadores, ao todo foram feitos 51 gols e o amistoso da equipe da Hecho da Argentina, com a seleção de jogadores de São Roque e amigos terminou em 9 X 5, podemos dizer que o Brasil ganhou. Faltavam ainda 7 jogos e amanhã tem mais.

Um samba, uma voz, uma raiz

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, julho 26, 2008

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“…Licença que eu vou incensa licença

Licença... Licença...
Ô incensa!Incensa quem é de incensar incensa
Incensa... Incensa... Ô licença!...”

Somente a forte e bela voz de Fabiana Cozza para aquecer um início de noite com uma leve garoa que insiste em cair sobre a cidade das contradições. O público do teatro Eva Herz dentro da livraria Cultura no Conjunto Nacional/SP, uma das maiores do país, se rende ao mais puro samba. Um resgate histórico de musicalidade e cultura brasileira e africana.

No palco, a voz audaciosa na penumbra das luzes inicia as interpretações. Gestos leves transbordam e ultrapassam os limites do samba. Pés no chão fazem parte do cénário. A percussão, violão e cavaquinho acompanham o balanço das canções.

O público não se move. Preenche todo espaço. Apenas calorosas palmas quebram a rotina do samba. Alguns pés mais inquietos se movem com timidez. A mesma timidez que ficou longe de um grupo de jovens senhoras próximas ao palco. Com gingado único elas somam anos na passarela do samba.

Fabiana Cozza, dona de uma qualidade vocal admirável conquista novos admiradores em seu segundo cd “Quando o Céu Clarear”, nome de uma das composições do álbum . Incensa, Xangô te Xinga, Agradecer e Abraçar também estão nesse trabalho. Fabina faz do samba de raiz sua casa e nos convida para para entrar, ou que seja…sambar!

*foto:Yara Verônica

Desafios

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, junho 28, 2008

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A capacidade do ser humano está muito além do seu campo de visão. Somos capazes de em milésimos de segundos transferirmos sentimentos. Choro, sorriso, raiva e bondade invadem sem pedir licença à alma, percorrem silenciosamente o corpo e exploram as atitudes do homem.

A falta de conhecimento ou a ignorância dele tornam o preconceito o pior sentimento a ser exibido. PRECONCEITO! Racial, religioso, cultural, orientação sexual são os mais vistos. Outro menos explorado, mas não menos rejeitado é sobre a deficiência física. Cadeirantes, deficientes visuais, auditivos e portadores de necessidades especiais, em sua grande maioria, são esquecidos pela sociedade. Falta de acessibilidade nas cidades e de oportunidades os tornam encolhidos.

Em Assim Como Você http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/,
a realidade é mostrada de uma forma realista, sem preconceitos. Criado pelo jornalista Jairo Marques, o blog tem a “proposta é abordar o diferente para revelar que no fundo, realmente, somos bem iguais”

Uma realidade fácil de se ver, difícil de se aceitar.
Enfrentar nossos medos é um desafio diário.
Enfrentar nosso preconceito é um desafio para vida.
*reedição (original 19/5/08)

Tronco da Vida

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sexta-feira, maio 30, 2008

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Uma célula de vida e uma vida para esperança para milhões de pessoas. Independente de crenças, religiões, etnias, culturas, conceitos e idéias um dos principais objetivos do homem é a qualidade de vida. O direito de liberdade! Uma palavra simples mais com infinitas percepções e sensações.

Um dos mais longos e polêmicos debates chegou ao fim. Em uma decisão histórica o Supremo Tribunal Federal autorizou as pesquisas com células-tronco embrionárias. Uma luz de esperança para portadores de necessidades especiais e pacientes com as mais diversas doenças.

Segundo cientistas as pesquisas podem ser determinantes para a cura de graves doenças como, por exemplo, o mal de Alzheimer, leucemia, mal de Parkinson, diabetes, paralisias e lesões.

Os resultados certamente não serão de imediatos, mas futuras gerações vão poder tornar os sonhos em algo real. Uma lembrança perdida ganhará novas risadas...poucos passos se tornarão grandes vitórias...uma lágrima se derramará de alegria...um alívio, um sorriso de vida foi aprovado.

Obs: As células-tronco se caracterizam pela capacidade de se transformar em diversos tipos de tecidos que formam o corpo humano.

Vozes que encantam

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on terça-feira, abril 29, 2008

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Por Ricardo Cazarino

Colaboração: Yara Verônica

Longe das tradicionais casas de shows, holofotes e lentes das grandes mídias, sobe ao palco uma banda que ganha cada vez mais o gosto do público. Na platéia, comportada ou não, fiéis seguidores e novatos se mesclam e escutam uma única voz. No comando, uma bela jovem de traços simples e marcantes faz sua paixão musical jorrar qualidade vocal. A gaita, sempre rendida à essa voz, se une ao som único e característico da banda. Aplausos. Gritos. Luzes se apagam.....

Pela história da música brasileira observa-se que o país sempre pôde contar com forte rigor técnico e uma interpretação aguçada nas vozes de suas divas. Hoje, o mercado fonográfico passa por uma nova fase. Transborda de novas cantoras. É um verdadeiro celeiro de vozes meigas, suaves, marcantes e novos rostos. Muitas trazem da infância a competência e a habilidade técnico com a voz.

Na época do auge do rádio, poucas mulheres ousaram exibir sua voz. As que ultrapassaram preconceitos, caíram na graça do público, deixaram seus legados e deram um show de brasilidade. Camélia Alves, Ellen de lima, Nora Ney, Maísa e Violeta Cavalcanti integram a fase.

O glamour que os homens transpareciam em canções como Garota de Ipanema e Mulheres de Atenas já representavam a força das mulheres. Mas elas queriam mais que serem musas, tomaram a frente e conquistaram públicos dos mais distintos. Nara Leão, Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa ecoam na memória de muitos.

Em diferentes estilos elas ganham destaque. O salto alto e uma delicada maquiagem tornaram-se cúmplices de uma capacidade vocal a ser explorada e admirada. Ivete Sangalo, Vanessa da Mata, Maria Rita, Adriana Calcanhoto,Bruna Caran, Ana Cañas, Luciana Mello, soam pelas rádios e enchem a tela da TV. Mas, até as vozes do passado ganharam espaço com essa nova safra, através das regravações.

E o show tem que continuar....as luzes se apagam e os próximos minutos são entregues a Banda Vega, comandada por Claudia Gomes, cantora que se destaca por sua competencia vocal, simplicidade e luz. Em Novos Tempos, novo cd da banda, Claudia encanta com suas próprias composições e com regravações, como “Construção” de Chico Buarque.

* postagem reeditada - original (10/02/08)

Cartas marcadas...desfeitas

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sexta-feira, abril 18, 2008

24

Uma bala perdida traça o destino de vidas sem roteiro. Vidas ao acaso se revelam na imperdoável São Paulo da beleza e do caos. Caos que amedronta personagens que se encontram pelas ondas da rádio, pelo olhar perdido, pelo esbarrão na rua. Rua da tristeza e do medo cercada pela violência estampada na face. Face que marca os traços da vida a procura do destino. Destino...capacidade de transformar.

No longa-metragem O Signo da Cidade, essas transformações ocorrem ao acaso. As ruas esquecidas e os prédios decadentes e mal tratados do centro da capital são testemunhas de um tempo de indecisão.

A teia de personagens, a princípio sem ligação, se une a uma linha tênue. Ao mesmo tempo em que provoca sofrimento, ela supera traumas e aconselha nos caminhos traçados. Com direção de Carlos Alberto Riccelli e roteiro de Bruna Lombardi, O Signo da Cidade, mostra como sonhos e desejos são transformados.

Atores consagrados como Bruna Lombardi, Juca de Oliveira, Eva Wilma e Malvino Salvador deixam a trama com segurança e realidade, além de atuação emocionante da jovem atriz Laís Marques.


Magia na voz e no som

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, abril 05, 2008

21


“A ana disse ontem
A ana ficou triste
A ana também leu
A ana não existe...” *

O palco arena do Centro Cultural São Paulo ficou pequeno e se rendeu aos pés da mais nova revelação da música popular brasileira. Morena, cabelos levemente soltos, vestido preto, um sorriso meigo e jeito de menina...assim é Ana Cañas, que supreende por sua qualidade e interpretação musical.

A doce e vibrante voz é regada por vinho ao longo do show. A clássica taça acompanha os acordes do violão celo, teclado e bateria. Do palco, ela faz sua casa. Do público ganha novos admiradores. Do microfone um aliado. Com a música, se mostra para a vida.

Com 5 anos de experiência nas noites dos bares paulistanos, Ana Cañas lança seu álbum “Amor e Caos”. Nele, Ana passeia com segurança pela MPB e traz o mais puro som do jazz. Há quem diga que Ana é a voz feminina do jazz.

Voz e violão se confundem ao inesquesível sabor musical. Como uma menina no palco, ela se transforma a cada nova interpretação. Ela brilha e encanta. “ Mas é doce quando é doce...” *

Amor e Caos também apresenta o gracioso lado compositora de Ana. Das dez faixas do álbum, sete compartilha com seus parceiros. Com letras delicadas e trabalhadas, as composições ganham as vozes do público. “Coração Vagabundo”, “Cade Você”, “Devolve moço” fazem parte da trilha de Ana Cañas.

* trecho da letra “A Ana”
Mais informações, vídeo, fotos, agenda : www.anacanas.com





Grito Escondido

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, março 16, 2008

21

De longe suas linhas são imponentes. A cor amarela vibrante escorre pelas paredes e cria um contraste com o cinza da cidade que chora. O clima nublado com ecos de relâmpagos ao fundo não afasta alguns visitantes. As diferentes cores de verdes em um amplo jardim cercam e preservam parte da história. De perto, os olhos vão além. Depara-se com um patrimônio ferido, com medo. Erguido às margens do grito da independência, a Museu Paulista (Museu do Ipiranga) sofre com a falta de recurso, com a ação do vandalismo e agora grita por uma ajuda.

Os monumentos no parque da Independência sofrem calados e nada podem fazer. Leões, cavaleiros e soldados de bronze apanham na cara. Muitos já não estão mais com suas espadas erguidas ao céu. Outros, apenas seguram parte dos armamentos destruídos ou roubados. A bandeira brasileira que do alto do mastro vigiava a cidade, também foi levada.

Projetado pelo engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi e erguido no ano de 1890, o Museu, em sua parte interna é recortado por corredores, escadarias e amplas salas. Possui um acervo de mais de 125 mil unidades entre objetos e arquivos que registram a sociedade brasileira anterior ao século 20 com destaque para a história da cidade de São Paulo.

Os jardins, construídos me meados de 1909, reproduzem o projeto paisagístico inspirado nos jardins dos palácios franceses, como o charmoso palácio de Versailles. Décadas atrás o local era ponto de encontro da alta sociedade, entre árvores delicadamente moldadas pelo homem, flores e chafarizes centrais, o passeio em família era obrigatório. Em 1912 o criador do jardim, o inglês Archibald Forrest declaro: "Aos domingos e feriados, o passeio favorito do povo - italianos, negros, portugueses, alemães, paulistas e ingleses - é ir de carro da Praça da Sé até o Museu do Ipiranga. A viagem ocupa cerca de meia hora...”

O histórico grito “Independência ou Morte” pode ter hoje uma nova visão. A liberdade e o direito à preservação cultural de uma nação e o risco de morte e degradação desse patrimônio monumental.

Composição de Mulher

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, março 08, 2008

36

Elas estão com tudo!
Cumprem uma verdadeira maratona entre a casa, família e trabalho. Elas querem mais! Estão certas! Já se foi o tempo em que ser dona de casa era o máximo de sua atuação. Elas conquistaram mais! Hoje ocupam cargos almejados pelos homens. Estão em ascensão em cargos empresariais, gerenciam negócios e comandam setores econômicos, políticos, culturais e sociais....


Elas nos encantam e são inspirações de grandes composições. Ecoam por nossos pensamentos e são lembradas nas mais belas canções. Para Tom Jobim, a menina se fez mulher e se tornou a coisa mais linda e cheia de graça. O doce balanço percorria o caminho do mar. Elas são únicas, cada uma com sua essência. São rosas de todas as cores com suas pétalas pendentes ao vento. Para Ana Carolina toda mulher gosta de rosa! Mas acompanhadas de um bilhete as deixam nervosas.

São frágeis. Conseguem abrir um sorriso em meio às lágrimas de felicidade. Os olhos encharcados brilham e revelam o gosto salgado. Chique Buarque já dizia que as mulheres de Atenas viviam pros seus maridos, num banho de leite encharcavam suas melenas. Talvez as mulheres de Atenas até tivessem certa saudade da Amélia, aquilo sim que era mulher, declararam Ataulfo Alves e Mário Lago.

Elas passam pela passarela do samba, encaram os palcos da MPB e se atiram no som do rock. A Anna Júlia de Marcelo Camelo passava sempre por mim tão linda que o olhar me fez perder no ar e na certeza de um amor. Seu Jorge declarou que Carolina é uma menina bem difícil de esquecer. Já Ana Canãs revelou que toda Ana ama, odeia, sonha e canta.

Elas merecem mais. Talvez uma em especial resuma a complexidade de uma mulher: Maria. Milton Nascimento expôs sua paixão por pela, uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta.


Nesta homenagem, indico as belas palavras de uma amiga menina moça mulher:

Eny Elisa com o seu Bocadinho de Prosa

Primeiro Passo...

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, março 02, 2008

33


Por Ricardo Cazarino

Sábado pela manhã, logo nas primeiras horas do dia, o vento gelado com alguns respingos de garoa cortava a avenida mais paulistana da cidade. Calma e com pouco movimento, não parecia ser a mesma que nos deparamos ao longo da semana. Algumas pessoas nas calçadas podiam circular sem pressa, os poucos carros deixavam longe o barulho habitual. Beirando a avenida, um grupo de pessoas, com profissões e idades distintas, se reúne em uma pequena sala para debater sobre um gesto comum a todas: solidariedade e inclusão social.

Hoje o país está carente de solidariedade. Instituições voltadas para diferentes áreas fazem o trabalho não realizado por nossos governantes. A falta de apoio ao setor é séria e faz com que alguns grupos em prol da cidadania fechem suas portas. Outros se mantêm com recursos escassos e dependem da ajuda de patrocinadores.

Em benefício à população carente, jovens infratores, idosos, viciados em drogas, álcool e outras tantas atuam pelo terceiro setor. A reunião em questão analisou os futuros projetos da OCAS – Organização Civil de Ação Social, que tem por missão criar instrumentos de transformação com os quais essas pessoas em situação de rua possam se identificar e serem seus próprios agentes no resgate de uma vida digna.

Fundada há 6 anos com atuação em São Paulo e Rio de Janeiro, um dos principais trabalhos realizados é a revista OCAS, um espaço com assuntos culturais, políticos e sociais. Com matérias escritas e produzidas por voluntários, elas são vendidas exclusivamente nas ruas por ex-moradores de ruas que atingiram um grau de independência social. Cadastrados e treinados eles vendem cada exemplar por R$ 3,00. Desse valor, R$ 2,00 ficam com o vendedor, o que promove uma autonomia financeira e vínculo com a ONG.

Hoje OCAS passa por uma fase de transformação e vai ampliar suas atuações atingindo um número maior de beneficiados. Para isso precisa do apoio dos voluntários e novos membros que se interessem pelo projeto. Apesar do término da reunião, há muito que se fazer ainda. Um passo a mais foi dado...outros, com certeza, serão. E você? O que acha de dedicar um pouco de seu tempo a terceiros? Uma vez por semana, por mês...não importa. O que vale e a capacidade de se dedicar ao próximo e ajudar manter a cidadania.

Mais informações : http://www.ocas.org.br/

Personagem Urbano

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, fevereiro 24, 2008

60

Por Ricardo Cazarino

A noite já se fazia presente e uma fina chuva encharcava os pensamentos. Na rua, o movimento sempre constante. Dentro do ônibus poucas pessoas aguardavam a chegada ao destino. Uns dormiam em meio ao balanço provocado pelas ruas mal conservadas. Outros tinham em mãos revistas e jornais. Os jovens com seus fones de ouvidos não viam o tempo passar. Naquela noite a rotina foi quebrada. Na parada seguinte, juntos com dois passageiros um homem de meia idade com roupas folgadas, um violão na mão e uma gaita presa no descansar do pescoço se acomoda em pé na última janela. Aos poucos as mãos dedilham o instrumento e uma voz rouca no fundo da garganta espalha sem pedir licença o som do blues americano.

Pelas próximas quatro paradas e com um inglês um tanto quanto atrapalhado, a música invade o ônibus e aos poucos chama a atenção dos passageiros. Duas senhoras sentadas à frente interrompem a conversa e já esticam os pescoços. A jovem retira um dos fones do ouvido e torce a cabeça. A criança sempre curiosa já se atiça para chegar perto. O motorista olha desconfiado pelo retrovisor e continua seu trajeto.

Novos passageiros sobem, poucos descem. A música pára. A rouca voz se manifesta em meio aos olhares curiosos: “Boa noite a todos!! Sou um desempregado que tento ganhar a vida de uma forma honesta. Quem puder me ajudar...contribuir com qualquer coisa.. agradeço!" A viagem segue. A gaita e violão brigam com o gemer do velho ônibus.

Poucos se atrevem a dar algum trocado. As moedas escondidas nos bolsos são as mais utilizadas. “Obrigado moça!”...Anda pelo corredor em meio as cadeiras e passa o chapéu. “Hoje não tenho nada”, diz uma senhora com receio do que vê. “Obrigado a todos e boa viagem”. Antes de dar o sinal, senta ao lado de uma bela jovem e puxa assunto: “que chuva hoje heim......bom chegou meu ponto.” Estende a mão com fervor e a moça retribui. O aperto de mão deixa a timidez de lado e o cantor anônimo a toca nas mãos delicadas e deixa um beijo como lembrança. "Ae chefe, pode abrir pra mim?"

Nostalgia sobre Trilhos

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on terça-feira, fevereiro 19, 2008

70

Por Ricardo Cazarino

Olhos curiosos, tristes, arredondados ou puxados. Peles claras, morenas, negras. Corpos fracos, cansados, famílias inteiras ou despedaçadas. Roupas velhas, suor, fome, doenças. Medo. A antiga Hospedaria do Imigrante localizada no tradicional bairro da Mooca em São Paulo foi testemunha viva da história do país. Hoje, cerca de 130 anos após sua construção e a chegada dos primeiros “novos brasileiros”, o local abriga o Memorial do Imigrante. Alguns poucos tijolos resistem ao tempo, à mesma terra sobrevive aos pés e os trilhos que traziam vagões lotados, são lembrados a cada som agudo e vibrante do apito da velha Maria fumaça.

Visando um local único para abrigar a nova população das mais diversas nações, o então governo da província à Assembléia Legislativa provincial relatava em 1885 : "A Hospedaria de Imigrantes da capital de São Paulo, construída e inaugurada sob a presidência do Exmo. Sr. Conde de Parnaíba é destinada a receber os imigrantes procedentes do estrangeiro ou de outros Estados da União...”

As margens da Estrada de Ferro do Norte e da São Paulo Railway , a hospedaria recebia em sua maioria europeus, vindos diretamente do porto de Santos, que se espalhavam pela cidade e regiões do interior. Todos os serviços eram oferecidos gratuitamente, como as refeições e atendimento médico.

Após diversas reformas em sua estrutura, no ano de 1930, a construção ganhou estilo neoclássica. Pouco da estrutura original ainda podem ser vistos. No Memorial do Imigrante a viagem ao passado começa logo na visão de um antigo bonde reformado estacionado na rua. Os portões escodem um amplo e belo jardim. Os bancos ao redor contemplam a calma do ambiente. O acervo do Memorial possui diversos registros em documentos da época, as políticas aplicadas, posses de terras, livros da entrada de imigrantes além de documentos pessoais como passaportes, cartas pessoais, fotos e objetivos.

No entando, o que chama mais a atenção é a antiga Maria Fumaça e a estação do trem. Nela, os visitantes são recebidos por funcionários vestidos como antigamente. O chapéu e o sino do maquinista chamam a atenção. Ao primeiro apito o vapor começa a jorrar nostalgia junto com um som estridente. Em um pequeno trecho, as pessoas podem entrar na velha lembrança de seus antepassados e ensinar as crianças o valor de se preservar a memória de um povo.

Serviço:
Rua Visconde de Parnaíba, 1316
Mooca/SP (Próximo à estação Bresser do metrô - linha vermelha)

10

Olá, quero agradecer aos diversos comentários neste recente espaço.

Em especial a Bia que me concedeu os selos :
Repasso ambos os selos a:
Cordel da Mulestia de Thiago Barbosa
Um Pacheco de Raphael Pacheco
Sou Destro de César Fernández

Obrigado!


Respeitável público

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quarta-feira, fevereiro 06, 2008

55

A cada ano a cidade de São Paulo ganha mais atrativo na área cultural. Um dos destaques fica por conta das temporadas das grandes peças teatrais e das montagens brasileiras dos musicais da Broadway. Já atuaram nos palcos paulistanos espetáculos como Les Miserables, Chicago, A Bela e a Fera, Sweet Charity e O Fantasma da Ópera, que já foi visto por mais de 500 mil pessoas.

Longe das estruturas milionárias com as mais belas vestimentas, cenários grandiosos, luzes e atores que se esbarram na cochia, estão os pequenos grupos capazes de levar um espetáculo com a mesma magia para ruas e praças. “A arte não muda o mundo. A arte muda o homem. O homem muda o mundo”. É com esse pensamento que o grupo Farândula Troupe apresenta seus trabalhos a céu aberto.

O tablado do teatro passa a ser um bloco de concreto ou quem sabe uma grama macia e limpa. As poltronas enumeradas sedem lugar aos caixotes, muretas ou até mesmo, as pernas estendidas. As luzes coloridas e o som acústico são trocados pela luz do sol ou pela sombra da lua. A garganta, essa sim, é a caixa de som de baixo alcance.

Com 13 anos de atuação artística ao ar livre, o grupo traz a magia e a linguagem da arte circense para a cidade. Segundo Neto de Oliveira, fundador e coordenador do Farândula, o objetivo do grupo é proporcionar uma transformação em um espaço público abandonado de cultura, sem estrutura e com ausência de pessoas. “A rua tem que voltar a ser um ponto de encontro. A violência, a insegurança, o medo de sair de casa afastou as pessoas, amigos e vizinhos. Na rua, não há desigualdade. Todos, ricos ou pobres, jovens ou idosos, se tornam um público único, sem distinção de questionamentos”.

Um exemplo da mudança no espaço público que as companhias teatrais podem provocar na população pode ser encontrado na Praça Hélio Ansaldo, localizada no tradicional bairro do Cambuci, no coração da capital. O local, que foi testemunha da revolução de 24, tem como guardiã a centenária igreja Nossa Senhora da Glória ao fundo. O abandono cedeu lugar para um projeto paisagístico que abrigou os espetáculos “Que Palhaçada”, para o público infantil e “Júlio e Aderaldo” e “A quadratura do Círculo” para os adultos.

As peças não apresentam uma ideologia política, mas sim, pretendem criar um questionamento nas pessoas para que elas lutem por seus direitos. Além de divertir, as apresentações têm uma qualidade artística e trazem uma atitude política. Incentiva a população do bairro a voltar no tempo e bater o bom e velho papo com os amigos e vizinhos.

A arte não muda o mundo.
A arte muda o homem.
O homem muda o mundo.

Nos Tempos da Serpentina

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quarta-feira, janeiro 30, 2008

81


Por Ricardo Cazarino

“Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar”
(Ó abre alas - Chiquinha Gonzaga)


Numa época em que a sociedade brasileira era repleta de normas de conduta e o correto era não desrespeitar a elite dominante, uma jovem começava a se destacar pela sua arte e independência. Voltando as páginas, em meados de 1889, Chiquinha Gonzaga, se destacava como a primeira compositora da história da música popular brasileira. No papel repleto de cifras e marcações e ao toque suave do piano, “Ô Abre Alas” ganhava salões e chegava aos mais distantes ouvidos dos futuros foliões.

A composição teve seu auge com o surgimento nas tradicionais marchinhas carnavalescas na década de 20. Até então, o som do momento era regado pelas tradicionais jazz-bands e as melindrosas, mulheres modernas da época, que enfeitavam os salões e os bailes com seus vestidos mais curtos, elegantes e leves. Ousados para os velhos tempos. A dança mais vigorosa atraia os olhares dos homens mais recatados para as costas e as pernas levemente a mostra.

Influenciado pelas bandas de jazz e mesclado com as milenares marchas militares compassadas, começou a surgir uma nova melodia aos ouvidos e ao corpo. Com letras alegres e com uma boa dose de humor, em que o duplo sentido colocava em dúvida alguns trechos, as marchinhas dominaram as festas banhadas a chuvas de confetes, serpentina e brilho. Segundo o livro, Almanaque do Carnaval, do historiador André Diniz, “o reinado das marchinas durou nada menos do que 4 décadas, de 1920 a 1960, e diferente do frevo e do samba, a marchinha nasceu como ritmo exclusivo dos salões”

No compasso da época de ouro, outras vozes e marchinhas ficaram consagradas nos embalos de Noel Rosa, Braguinha, Ary Barroso e a inesquecível Carmen Miranda, entre outros. Os bailes aumentavam ano após ano. Ganhou as ruas e atraiu gerações. A brincadeira inocente de um povo, ficou marcada nas páginas de livros históricos e nas composições de poetas da música. Passado um século, Chiquinha Gonzaga se eterniza na alegria de um povo.

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão
(Máscara Negra - Zé Keti, Pereira Mattos)

Quantos carnavais, quantas lembranças.
E que não se duvide desse tempo...

Lembranças da Folia
Cidade Maravilhosa (André Filho) – Aurora Miranda
Pierrô Apaixonado (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres)
Touradas em Madri (João de Barro e Alberto Ribeiro)
Chiquita Bacana (João de Barro e Alberto Ribeiro) – Emilinha Borba
Taí (Joubert de Carvalho) – Carmen Miranda
A Jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto)
O Teu Cabelo Não Nega (Irmãos Valença e Lamartine Babo) – Castro Barbosa
Yes, Nós Temos Bananas (João de Barro e Alberto Ribeiro)

Pátria Amada ?

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, janeiro 27, 2008

72

Por Ricardo Cazarino


“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas... De um povo heróico o brado retumbante,... E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,... Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade... Conseguimos conquistar com braço forte,Em teu seio, ó Liberdade,... Desafia o nosso peito a própria morte! Ó Pátria amada,... Idolatrada,... Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido... De amor e de esperança à terra desce,... Se em teu formoso céu risonho e límpido... À imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,... És belo, és forte, impávido colosso,... E o teu futuro espelha essa grandeza.
Terra adorada... Entre outras mil,.. És tu, Brasil,... Ó Pátria amada... Dos filhos deste solo és mãe gentil... Pátria amada,Brasil ! ...”

Na típica virada do tempo da capital, o vento gelado chega junto com o cair na tarde. Na praça mal tratada pela cidade atrás do Fórum, algumas plantas tentam sobreviver em meio ao lixo despejado sem dó. Poucas pessoas passam pelo local. Quando passam, as pernas parecem correr para longe. Os olhares desconfiados buscam uma direção segura. Em meio à solidão, Brígido Sousa Lima, de 54 anos, se acomoda na beira de um canteiro. A cabeça abaixada entre as pernas forma uma barreira contra o vento e a poeira.

Com um rosto desconfiado mais com um ar de curiosidade, veste sandálias velhas presas por um barbante negro, uma calça social marrom desbotada com uma camisa de malha azul e cinza encoberta por uma jaqueta aberta escuro. O gorro preto da cabeça complementa a atual vestimenta. A pele negra com a barba feita e os olhos escuros não deixa que a idade seja percebida facilmente. Uma sacola velha de mercado é mantida entre os pés.

Há dias dorme, ou descansa um pouco como prefere dizer, em frente à galeria Pagé, bem no coração do consumo ilegal. “Daqui a pouco vou pra lá. Tem dias que arranjo um cobertor, mas quando não tem, fico sem mesmo. Mas aqui na rua a gente não pode dormir não. Tem “nego” que leva tudo, até matar os caras que tão dormindo”.

Pai de três filhos e casado, Brígido nasceu em Itabunas na Bahia onde morou até os 28 anos. Como a maioria dos moradores em situação de rua, não tinha um trabalho formal. “Quando a situação começou a ficar ruim e como estava desempregado, vim para São Paulo porque tinha a esperança de ter uma vida melhor, mas agora consigo no máximo de R$ 5,00 a R$ 10,00 por dia. Tem dias que ta fraco, hoje só consegui R$3,00.”

Sem contato com a família há 20 anos, não tem vontade de voltar pra casa sem as condições melhores que tanto buscava. Sem oportunidade de arranjar um emprego digno, vivia de trabalhos temporários. Hoje, apenas bicos. “Já fiz muita coisa nessa vida... martaleiro e vendedor de coco até a prefeitura da Marta Suplicy roubar minha barraca. Agora cato latinhas e papelão pelas ruas. Levo tudo nas costas mesmo. Não tenho carroça”. Com uma aparência mais calma deixa escapar o primeiro sorriso ao falar de seu principal inimigo, a fome: “já passei 3 dias sem comer, mas não morri, to vivo!”

Sem a companhia da garrafa com álcool e com plena consciência de sua situação o papo começa a ganhar intimidade ao mesmo tempo em que o vento seco insiste em atrapalhar a conversa. “Não tomo álcool, não fumo droga, maconha e nem como pimenta, nada disso.” Já descontraído, muda de assunto e deixa escapar seu maior sonho, de ser compositor e cantor. A voz rouca e com ritmo musical deixa o tempo passar ao som de seu samba de rua : “Olha o rapa, olha o rapa aí...O rapa ta levando todo o meu trabalho....minha carroça, meu papelão...olha o rapa aí...” A inocente letra revelou sua realidade crua e nua. Um protesto musical pela condição em que vive foi a melhor forma que encontrou para seu protesto particular. “Música é comigo mesmo, pode perguntar, o que você quer ouvir?”

O samba poderia durar a noite toda, era só chamar uns amigos, armar um churrasquinho e umas mulatas para pode estremecer a Praça da Sé. Poderia... Mas um detalhe chama a atenção. Em meio às melodias, Brígido exclama com orgulho: “eu sei o hino nacional, o hino da bandeira e todos os hinos nacionais. Aprendi quando fiz exército ainda nos meus 19 anos e nunca mais esqueci. Todos os brasileiros deveriam saber o hino de seu país. Tem muito engravatado que não conhece; uma vergonha!”. O hino nacional é cantado por completo, com as pausas e o fôlego na medida certa. Uma platéia poderia se formar a qualquer instante. “...terra adorada... Entre outras mil,... És tu, Brasil,... Ó Pátria amada!... Dos filhos deste solo és mãe gentil... Pátria amada,... Brasil ! . Pelotão sentido!”, o sorriso nos lábios e uma suava gargalha completava a tarde de solidão do morador de rua.

A imagem do senhor carente por uma boa conversa permite uma aproximação ainda maior. As mãos gastas pelo trabalho pesado retiram do bolso da blusa uma velha carteira robusta com papéis caindo pelas laterais. Em meio a eles um recente documento é passado de mão. Datado de 04 de agosto de 2006, o pequeno pedaço de papel esverdeado registra o atestado que o cidadão NÃO possui antecedentes criminais e nem passagem pela polícia. “Quando o cara tem crime nas costas, tem o dedão aqui (verso no papel), senão fica em branco. Eu não devo nada a justiça.”

Além das melodias com crítica a sociedade, Brígido confessa que não acompanha os principais acontecimentos nacionais porque não tem a oportunidade de assistir uma televisão e ler um jornal todo dia. No entanto, afirma que não deixa de exercer seu papel de cidadão: “Eu voto sabendo que esses políticos não vão fazer nada. É só na hora pra conseguir votos que ficam falando que vão fazer isso e aquilo. Mas voto assim mesmo. Vou votar pro Lula.”

Ao contrário de uma boa conversa jogada fora de botequim que vai até altas horas, o papo é encerrado com a chegada da noite. Ainda com a política na cabeça, arruma logo um samba para sonorizar a partida : “sou fã do Bezerra da Silva. Você conhece aquele música... Meu irmão se liga no que eu vou lhe dizer... Hoje ele pede seu voto amanhã manda... A polícia lhe prender... Hoje ele pede seu voto amanhã manda... A polícia lhe bater... Eu falei prá você, "viu"?... Nesse país que se divide... Em quem tem e quem não tem... Sempre o sacrifício cai no braço operário... Eu olho para um lado... Eu olho para o outro... Eu vejo desemprego... Vejo quem manda no jogo...”.

A Cara de São Paulo

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on quinta-feira, janeiro 24, 2008

64

Por Ricardo Cazarino

Na cinza e caótica cidade de São Paulo, uma onda enraizada em pleno centro velho, surge e ultrapassa as fronteiras dos arranha-céus, invade as avenidas e janelas e se expande no horizonte sem piedade. Diante dos olhos, é preciso paciência. As curvas delicadas e pesadas dão um ar de soberania. Considerado um marco da modernização paulistana nos anos 60, o edifício Copan representa um resumo da diversidade da cidade. Ele abriga cerca de 5 mil pessoas das mais variadas classes sociais, sexo, cor, raça e origem.

Ontem
Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1951 e localizado no coração da cidade, o Copan é a abreviação do nome da Companhia Panmericana de Hotéis e Turismo. Inicialmente a obra seria um centro urbanístico do modelo do Rockfeller Center de Nova York, com apartamentos, salões, lojas, cinema, teatro e jardins.

A obra teve início no ano de 1952 e foi concluída apenas em 1966. Nos anos 70, o edifício passou por uma fase de degradação violenta, a mesma que provocou a degradação do centro histórico.

Há 40 anos no Copan, o síndico Affonso Celso Prazeres, chamado de “prefeito” pelos condôminos, luta desde 1993 para revitalizar e manter o local como um verdadeiro monumento faraônico.

Hoje
Desde 2001, o maior prédio residencial da América Latina, passa por reformas ousadas e caras. Uma que ainda não saiu do papel é a criação de um observatório na cobertura, com acesso por um elevador panorâmico, permitindo uma vista particular de São Paulo. As reformas do Copan é um fator fundamental para o centro esquecido da capital e devolverá a cidade os requintes de décadas passadas.

Curiosidade
O formato em onda que deu um glamour especial a cidade, não foi propositalmente, mas sim uma solução para a topografia local, que não permitia a construção em linha reta; Cerca de 3 toneladas de lixo são recolhidos por dia.

Copan na matemática:
1160 apartamentos, igreja, 1 fast-food chinês, 4 restaurantes, 1 lavanderia, 1 lanchonete, 10 relojoaria, 1 cafés, 1 vídeo locadora, 5 telefones públicos, 1 agência de turismo, 1 papelaria, 1 despachante, 300 vagas na garagem, 6 blocos residenciais.

Cárcere do tempo

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sábado, janeiro 19, 2008

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Os porões da ditadura militar revelam uma história apagada pelo País e o legado vivo de gerações

Texto e fotos: Ricardo Cazarino

Manhã de sábado de 2007. O tempo nublado com ventos gelados sobre uma fina garoa que cai em pleno centro de São Paulo, não impede de entrar em um dos mais estruturados e históricos edifícios do País. Por fora, grandes colunas com detalhes a cada dobra de parede. Por dentro, um silêncio assustador revela a herança deixada pelo tempo. As escadas, essas sim, levam aos antigos cárceres da ditadura militar.

Manhã de sábado de 1967. As belas estruturas do prédio e muito menos o clima podem ser notados. Não há tempo. Com os olhos vendados e com ematomas por todo corpo, os perseguidos pelo governo militar, eram arremessados e amontoados nos seis cubículos escuros dos porões do DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social).

Hoje, um local turístico. No passado, temido, negro. Mas algo ainda é capaz de unir tais contradições. Durante todas as décadas, o ranger das portas e o som frio das fechaduras encobertas pelas ferrugens, podem sem ouvidos com o mesmo arrepio na espinha. As grades estreitas e emaranhadas são as verdadeiras testemunhas oculares de uma história triste e vergonhosa.

História
O edifício não foi construído para abrigar presos políticos e práticas de tortura. Sua origem se encontra na evolução da cidade, na transição do século 19, para o início do 20. Mas exatamente em 1875, na conclusão da estrada de ferro Sorocabana, com 108 quilômetros de extensão, que ligava Sorocaba e São Paulo.

Para acomodar seus dirigentes e produtos vindos do interior começou a ser elaborado o plano de edificação de um armazém. Para a obra, o arquiteto oficial da cidade, Ramos de Azevedo foi escalado. Responsável por grandes obras como o Teatro Municipal, o Pátio do Colégio e o Palácio das Indústrias, suas estruturas misturavam as rudes plataformas metálicas aos tijolos avermelhados, visando resgatar os modelos europeus.

Apenas no ano de 1924, quando o armazém foi fechado e entregue aos cuidados do Estado, foi transferida e instalada a Delegacia de Ordem Política e Social (Dops). O órgão foi extinto no inicio da década de 80. Criado para combater movimentos sociais e políticos contrários ao governo, teve sua face mais marcante no período da ditadura militar (1964-1984). Nela, as celas se transformaram em verdadeiros locais de torturas e mortes. Muitos nomes que entraram, jamais saíram. Outros, buscam na memória a lembrança da liberdade roubada.

Hoje
As antigas celas do DOPS se encontram hoje no prédio da Estação Pinacoteca, bairro da Luz, próximo à estação do metrô, sobre responsabilidade da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Totalmente reformadas, as celas pintadas de preto e iluminadas com pequenas luzes superiores, exibem pequenos quadros que registram o período militar. Manifestações populares, conflitos corpo a corpo, movimentos de artistas e mortes fazem parte da mostra.

Segundo o monitor do Memorial da Liberdade, Vinícius Camargo Sari, a média de visitas é de 25 pessoas por dia, em sua maioria estudantes e jovens. “Conhecer pessoalmente este registro histórico do País atrai mais jovens do que qualquer livro de história.”

Serviço : Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 - Luz - São Paulo/SP
Fone: (11) 3337-0185
Funcionamento: De terça a domingo, das 10h00 às 17h30.
Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (1/2 entrada). Grátis aos sábados.
Estudantes com carteirinha e idosos pagam meia entrada.
Crianças com até 11 anos não pagam.

Uma voz, eterna canção

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on domingo, janeiro 13, 2008

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“Eu tinha tanto som na minha cabeça que, de algum jeito ou de outro, eu precisava colocar isso para fora”. Esta frase talvez resuma todo o conteúdo de uma das mais belas vozes do mundo musical. Suave, doce, meiga, insegura, forte e, ao mesmo tempo, com extrema técnica. Era assim que Elis Regina encantava platéias e ultrapassava fronteiras com suas canções. Para outros, simplesmente Elis.

Seu auge ocorreu em plena época da ditadura militar. Enquanto o País passava por graves agressões e severas censuras, Elis corria por fora. Apelidada de “pimentinha”, por Vinícius de Moraes, atingiu seu grande objetivo: cair na graça do público. Passou por diversos estilos musicais até atingir um novo formato para o mercado musical. Com seus gestos expansivos e sua voz única, nascia a MPB.

Em 1967, no primeiro festival de música brasileira, na TV Excelsior, Elis surpreendeu os cantores consagrados e levantou o público ao defender a canção “Arrastão”. Com 20 anos, sua voz começava a entrar na casa dos brasileiros. Convidada para apresentar o programa O Fino na Bossa, na TV Record, dividiu o palco com o cantor Jair Rodrigues.

Um grande sucesso foi o especial que gravou junto com o cantor e compositor Tom Jobim. Recentemente relançado pela gravadora Trama, que pertence a seu filho, João Marcelo, para homenagear os 60 anos de seu nascimento, hoje o CD é um dos mais vendidos. “Esse trabalho é parte do corpo, da paixão que tenho por minha mãe dentro da minha memória”, revelou recentemente o empresário no programa da rádio USP FM.

Dona de em repertório invejável por muitos compositores, suas canções percorreram palcos pelo mundo. Atrás da Porta, Casa no Campo, Fascinação e Madalena fazem parte dessa memória. Elis também lançou diversos cantores, como Milton Nascimento. “Quando conheci, não sabia seu nome todo. Disse que se chamava Milton Nascimento. Isso me basta”, contava Elis.

Ninguém cantou e representou tão bem a música nacional como a enigmática Elis. Essa voz se calou. Sua musicalidade e sua alma tornaram-se um único ser, que ultrapassou o especial para ser universal., “... assim falava a canção...”.

Brasil de Todos os Povos

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sexta-feira, janeiro 11, 2008

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Parte I

Por Laís Sansoni e Ricardo Cazarino

Com o passar do tempo, o Brasil construiu uma das mais belas riquezas de uma nação, sua língua e cultura

Uma forma de se identificar uma nação é através da língua. Porém, com o passar dos tempos, as mudanças que as línguas sofreram possibilitaram os países a criarem suas próprias identidades culturais. Assim acontece com a língua portuguesa, a sétima mais falada no mundo, mas com uma independência entre os países que a utilizam, como Angola, Moçambique, Portugal e Brasil.

Apesar de ter sua raiz em Portugal, as mudanças ocorreram conforme as colonizações, invasões, necessidades e interesses dos países, que ganharam e perderam sotaques lingüísticos. Diferentemente de outras nações que foram colônias portuguesas até bem pouco tempo atrás, onde sofreram intensas opressões e o português era ensinado nas escolas com todas as fonéticas e entonações.

Já o Brasil, com os escravos de origens africanas, índios nativos, invasores estrangeiros e diversos grupos de imigrantes, teve sua formação cultural fundada em inúmeros povos, todos com tradições e costumes particulares. A população brasileira teve que aprender a lidar com essa mistura e a improvisar. A cultura do país se tornou rica ao mesmo tempo diversificada.

Segundo Maria Aparecida da Silva, pedagoga e formada em lingüística comparada pela Universidade de Lisboa, é dessa forma que surgiu o “jeitinho brasileiro”. “Não tínhamos quem nós ensinasse a entender essas diversidades lingüísticas, tivemos que aprender a nos virar e improvisar”, diz Maria Aparecida.

Outro fator para nos distanciar da tradicional língua portuguesa é a extensão territorial que o país possui. De norte a sul, é possível encontrar em cada região características exclusivas, porém de entendimento geral em todo território.
Por esse motivo, Maria Aparecida acredita que o Brasil já não fala mais o português, mas sim o “brasileiro”, uma forma de unir a riqueza que o país construiu. No entanto, o “brasileiro” ainda é contestado por algumas linhas teóricas, que alegam que devido à mesma origem, não é possível atribuir um nome específico.

Brasil de Todos os Povos

Posted by Ricardo Cazarino | Posted on sexta-feira, janeiro 11, 2008

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Parte II


Consciência lingüística

Um problema comum a ser analisado é a falta de valorização da língua pela própria população, que se envergonha de sua origem, com sátiras e piadas sobre sotaques e modos de falar. O preconceito lingüístico é uma forma de denegrir a cultura, já a língua de prestígio é considerada a correta. Um exemplo disso se encontra nas richas entre paulistas e cariocas, e os nordestinos, que são desvalorizados e inferiorizados pela cultura sulista.

Essa degradação da língua ocorre à medida que a região centro-sul do país é vista como a principal do país. Segundo Maria Aparecida, o português de São Luís do Maranhão é o que mais se assemelha ao original, contrariando a língua de prestígio.

Ao contrário do que ocorre no Brasil, os portugueses se vangloriam de sua língua e apreciam cada vez mais a cultura brasileira, que está em plena ascensão no país europeu. Através da televisão, as músicas, os artistas e as novelas são vistas como uma forma de crescimento e conhecimento. Por ser um país pequeno comparado ao Brasil, não há mais grandes novidades e lançamentos, um motivo a mais para que “as nossas notícias façam parte da vida deles”, afirma Maria Aparecida.

Uma curiosidade entre os países é o significado das palavras, em que muitas vezes tem a mesma pronúncia mais significados diferentes. Para Maria Aparecida, essa mudança radical ocorreu de acordo com a situação e com o contexto : “Às vezes determinada palavras foi utilizada há cem anos com um significado e hoje, pelo desenvolvimento, exige uma outro sentido”.